#PoesiaImersa: Aquários Imaginários

Às vezes, penso que as paredes são imaginárias.  
Eu não consigo vê-las.
Nado, nado, nado e bato sempre no mesmo lugar.
É o nada transvestido em transparência.
Eu posso senti-lo.
Talvez seja um bloqueio imaginário, fruto de uma mente paralisada.
Talvez seja a rotina de estar sempre indo na mesma direção.
O mundo, ao redor de minhas paredes, muda.
Tudo se transforma.
Aqui dentro, a conservação me consome.
Pedras são adereços, esperando a visão atenta daquele que passa.
Tudo é fim.
Nada muda.
E minha permanência se mantém inócua.
Igualdade monótona da mesmice.
Por hora, penso estar em uma armadilha, mas não posso vê-la.
Eu posso senti-la.
Por nanosegundos, me imagino saindo daqui.
Nado, nado, nado.
Iludida, me deparo com o real do bloqueio imaginário.
Bato nas paredes.
Elas estão lá, bem em minha frente.
Não tem jeito.
Prefiro pensar que são paredes de vidro.
Gosto da ideia de viver dentro de um aquário.
Há conforto.
Há segurança.
Sem medo, eu continuo viva.
Sinto-me como um belo e lindo peixinho dourado.
Mas, não suporto a ideia de viver como um peixe.
Descubro que não nado.
Perambulo por aí.
Talvez, eu seja como um peixe.
Mas, um peixe fora d’água.
Dentro de um grande aquário sem água.
São diversos os aquários.
Inúmeros os aquários imaginários.
Eu posso senti-los.
Vivo dentro de um deles.
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