#Cinimersão: Democracia em Vertigem

Essa era uma postagem que, de repente, não sei se queria fazer. Mas algo muito estranho aconteceu, quando assisti o documentário Democracia em Vertigem, de Petra Costa, que precisei registrar. Conheci o trabalho da Petra em 2017, quando tive contato com outro filme dela, Elena. Assistir Elena foi uma experiência quase transcendente para mim. Foi como se Petra estivesse em minha frente e enfiasse a mão bem no centro do meu corpo, arrancando meu estomago de uma só vez. Trata-se de um filme em que ela narra a história de sua irmã, Elena, que, infelizmente, “escolheu” não viver. Mas, nesse filme, Petra não nos apresenta um discurso clichê sobre depressão e suicídio, mas, sim, um discurso poético, e ao mesmo tempo, real, que nos aproxima de sua dor. Ao retratar a morte, ela retrata também a vida. Foi um trabalho, realmente, incrível. Por ignorância minha, eu não sabia que Democracia em Vertigem era dela, até começar a escutar sua voz na narrativa do documentário. Como no filme Elena, Petra é a narradora da história em Democracia em Vertigem. Sua voz doce, pausada, marcante, ficou ecoando, por dias, em minha cabeça em 2017. Não tinha como não a reconhecer. O documentário foi se desenrolando e, ao menos de dez minutos de vídeo, senti a mão de Petra invadir meu corpo novamente. Já imaginava que seria assim. Começo a chorar sem, ao menos, ver que estava chorando. Arrepios invadiram meus braços, pescoço e rosto. As pernas ficaram bambas e Petra arrancou meu coração dessa vez. Ela retratou a história do Brasil, apresentando-a de forma didática e, ao mesmo tempo, ética e poética. Alguns vão dizer que o documentário é partidário, não estou aqui para fazer isso. Mas, penso que todo brasileiro deveria assisti-lo, independentemente de partido ou lado que se tenha. O filme relata que a história é muito mais complexa do que isso. Não se trata, apenas, de escolher um lado, mas de identificar e compreender a forma, o conteúdo, as razões e as causas de cada lado. Nunca registrei ou repostei nada sobre política, mas esse documentário não aborda, somente, a política. Fala sobre nossas vidas, nossas escolhas e, até mesmo, sobre nossa sensibilidade em nos relacionar com o mundo e com o outro. Os dois filmes de Petra, aqui, se encontram, causando empatia. De certa forma, Elena e Democracia em Vertigem falam sobre a morte, mas também sobre a vida, retratando a dialética de nossa existência. Petra Costa, ao arrancar meu estômago e meu coração, me transformou em uma pessoa mais sensível aos problemas dos outros, afinal, eu também sou um outro no mundo e em nosso país.

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