
O que é?
Há sempre uma tentativa de dizer o que ainda não encontrou linguagem.
A angústia se anuncia antes das palavras. Elas permanecem à espera, do outro lado, até que alguma fissura lhes permita atravessar. Não existe fórmula. Ou talvez ela consista justamente em desaprender as fórmulas: romper regras, frustrar expectativas, desobedecer ao olhar que insiste em enquadrar.
É quando o julgamento cede que o íntimo se revela.
Ali habitam as memórias, os afetos, as ausências, as cicatrizes, os restos. Ali mora também o silêncio — não como falta, mas como uma linguagem anterior à própria palavra.
É desse lugar que nasce a imersão.
Mergulhe. Atravesse as águas, sejam elas turvas ou límpidas. Em toda profundidade existe algo que ainda deseja ser dito.
Porque ninguém retorna o mesmo de um mergulho verdadeiro.
Da imersão, ninguém sai incólume.
Danielle Monteiro