Os corpos que me habitam é um espetáculo de dança e performance que nasce da escuta sensível de narrativas memorialísticas de mulheres em situação de violência. A obra é resultado de uma pesquisa artística desenvolvida em nível de pós-doutorado, que investigou a arte como meio de performar a memória, compreendendo o corpo como território de inscrição, sobrevivência e elaboração simbólica da violência. A obra não se apresenta como reprodução literal do real, mas como uma construção poética que desloca o olhar do espectador, ativando o sensível como forma de pensamento crítico. A obra compartilha um corpo-memória que, por meio da dança, denuncia e ressignifica essas experiências sem recorrer à sua espetacularização. A dança atua como elo entre corpos e histórias, entre mulheres que carregam outras mulheres em memória, em marca e em gesto. O espetáculo convida o público a percorrer os caminhos da memória que dança e, por ressonância, a mergulharem seus próprios territórios de experiência, silêncio e escuta.






