Hoje nasceu uma mulher de gesso. Ela fora concebida antes de seu nascimento, projetada em vida outra e algumas determinações. O engessamento demarca o lugar, o silêncio e algumas profundezas. Ela tenta se libertar, sair de seu corpo-cárcere. Aos poucos, surge um outro corpo, ruína de carne, sangue e algumas cicatrizes. Dispensado, ele age sobre a própria determinação, suspende ausências e opressões ilegítimas, desimpede o risco. E liberta-se na palidez de seu próprio gesso. (Danielle Monteiro – Gessal, 2023)

Foto: Renatha Maia
A proposta desse videoperformance se sustenta em três pilares: corpo, mulher e liberdade. Trata-se de uma crítica ao engessamento do corpo feminino e a construção de espaços de resistência e liberdade. O corpo da mulher é algo historicamente construído por uma cultura patriarcal que determina o lugar social do ser-mulher. Essa determinação se manifesta desde a própria natureza corpórea, com ideais de beleza estabelecidos, até aos modos de existência, como a forma de se vestir, de se portar e de se colocar no mundo, ver e ser vista. Gessal é o nome dado a uma mina de gesso, representando aquilo que brota, que existe em abundância. Assim, o nome converge a um corpo construído, formatado, oprimido e silenciado em abundância, um corpo-mulher que se constitui a partir do gesso e nele é reprimido. Nesse caso, o gesso é um material que possui um valor metafórico simbólico e possibilita a denúncia desse formato, da captura de um corpo em seus processos de subjetivação, determinado por uma cultura que limita (e impede) sua expansão.































Fotos: Renatha Maia

