Desengolir, 2023.

Na parte superior do pescoço

um nó

entrada de abertura estreita

e saída bloqueada

na moldura côncava

o tecido arranha

carrega o tempo

e espaços concedidos

o sufocamento é insuportável

grita em olhos tristes

em amores platônicos

e em registros de reuniões inúteis

a seta aponta para baixo

instaura a relação

num corpo que deixa de ser

apenas forma

ela sente a dor da passagem

da transmutação da palavra

do silêncio trazido

do trapo da gravata

e no colo da vasilha

ou da estrada estreita

garganteia

dança a armadilha e se diverte

desengole